Tóxico-subversão: anticomunismo e proibicionismo na construção do “inimigo interno” durante a Ditadura Militar no Brasil — L. H. S. Brandão (2019)
BLUF
Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da UnB (2019). O trabalho demonstra que o regime militar brasileiro operacionalizou o conceito de “tóxico-subversão” — identificado em manuais de treinamento do SNI — para fundir o imaginário anticomunista da Guerra Fria com o discurso proibicionista sobre drogas, criando critérios de vigilância e classificação do “inimigo interno” que extrapolaram o período ditatorial e persistem nas estruturas repressivas brasileiras contemporâneas.
Ficha Bibliográfica
| Campo | Dado |
|---|---|
| Título | Tóxico-subversão: anticomunismo e proibicionismo na construção do “inimigo interno” durante Ditadura Militar no Brasil |
| Autor | Luiz Henrique Santos Brandão |
| Orientador | Daniel Barbosa Andrade de Faria |
| Programa | Pós-Graduação em História — UnB |
| Departamento | Departamento de História (ICH HIS) |
| Instituição | Universidade de Brasília, Instituto de Ciências Humanas |
| Defesa | 16 de julho de 2019 |
| Publicação (repositório) | 3 de abril de 2020 |
| Páginas | 120 |
| URI | http://repositorio.unb.br/handle/10482/37332 |
| 2019_LuizHenriqueSantosBrandão.pdf (1,17 MB) |
Argumento Central
O trabalho identifica o conceito operativo de “tóxico-subversão” em fontes primárias do aparato de informações do regime militar e demonstra que essa articulação não foi retórica acidental — foi a estrutura discursiva que permitiu ao Estado brasileiro:
- Fundir dois imaginários de ameaça — o “comunista” e o “traficante” — em uma categoria única de inimigo interno
- Legitimar a repressão política via discurso de saúde pública e moralidade familiar
- Expandir geograficamente o alvo do aparato repressivo: das organizações políticas para universidades e periferias
A articulação tem origem estrutural nos EUA no contexto da Guerra Fria e foi exportada para o Brasil via canais de formação do aparato de segurança — o que a posiciona como um vetor de influência doutrinária norte-americana sobre a doutrina de segurança interna brasileira.
Eixos Temáticos
1. A Campanha Nacional de Combate aos Tóxicos (1970–1973)
Principal instrumento operativo do governo Médici. A campanha promoveu a tese de que a “unidade nacional” sob comando militar era a única resposta capaz de “expurgar” simultaneamente a epidemia de drogas e a infiltração comunista. O slogan concentrou em um único quadro narrativo as ameaças internas de natureza política e moral.
2. Anticomunismo Moral: Drogas, Sexualidade e Família
A atualização moral do anticomunismo nos anos 1970 incorporou a narrativa de que o uso de drogas era estratégia deliberada do movimento comunista internacional para corromper a juventude brasileira. Os arquivos repressivos associam toxicomania com promiscuidade sexual e destruição da família — conectando matrizes proibicionistas de demonização das drogas com a doutrina de segurança interna.
Encontro de matrizes:
- Proibicionismo norte-americano (moralidade, racialização)
- Anticomunismo da Doutrina de Segurança Nacional
- Conservadorismo católico brasileiro
- Reação ao “maio de 1968” e à revolução dos costumes
3. Genealogia do Inimigo Interno Contemporâneo
O argumento central da dissertação é genealógico: os critérios de classificação de “inimigo interno” produzidos por essa articulação não se encerraram em 1985. As categorias discursivas e operativas sobreviveram nas estruturas institucionais brasileiras, identificáveis em práticas repressivas pós-abertura e contemporâneas — particularmente na forma como o Estado trata usuários de drogas em periferias urbanas.
Fontes Primárias Centrais
- Manuais de treinamento do SNI (conceito “tóxico-subversão”)
- Documentação operativa do aparato repressivo (governo Médici, 1969–1974)
- Documentação da Campanha Nacional de Combate aos Tóxicos
- Acervo jornalístico do período (Folha de S.Paulo)
Palavras-chave (Repositório UnB)
ditadura militar no Brasil · prevenção ao abuso de drogas · Emílio Garrastazu Médici · anticomunismo
Repositórios
| Repositório | Link |
|---|---|
| UnB (oficial) | http://repositorio.unb.br/handle/10482/37332 |
| OASISBR / IBICT | https://www.oasisbr.ibict.br/vufind/Record/UNB_838bfd644c9baa9a98be1016e0363c15 |
| Repositórios Latinoamericanos (U. Chile) | https://repositorioslatinoamericanos.uchile.cl/handle/2250/3853440 |
| eduCapes (CAPES) | https://educapes.capes.gov.br/handle/capes/890774 |
| Academia.edu (PDF) | https://www.academia.edu/es/47678799/T%C3%B3xico_subvers%C3%A3o_anticomunismo_e_proibicionismo_na_constru%C3%A7%C3%A3o_do_inimigo_interno_durante_Ditadura_Militar_no_Brasil |
Conexões no Vault
- Brasil — ator-estado central
- SNI — Serviço Nacional de Informações — fonte primária; aparato de informações analisado
- Anticomunismo — eixo discursivo central
- Doutrina de Segurança Nacional — enquadramento doutrinário
- Guerra Fria — Influência na América Latina — contexto de origem da articulação tóxico-subversão
- Ditadura Militar Brasileira (1964–1985) — período histórico central
- Luiz Henrique Santos Brandão — perfil do autor
Implicações Estratégicas
- A articulação proibicionismo–anticomunismo como vetor de construção do inimigo interno é um mecanismo recorrente em regimes autoritários — não exclusivo ao Brasil; variantes identificadas nos regimes militares argentino, chileno e uruguaio do mesmo período.
- A persistência das categorias discursivas em estruturas repressivas pós-abertura indica que a análise de práticas de segurança pública contemporâneas no Brasil requer mapeamento genealógico desses conceitos.
- O padrão de exportação doutrinária EUA → Brasil via aparato de segurança é estruturalmente análogo a outros vetores de influência cognitiva identificados no vault.
Gap: A dissertação cobre o governo Médici (1969–1974). A análise do período Geisel–Figueiredo (1974–1985) e das continuidades institucionais na Nova República permanece como frente de pesquisa aberta.
Fontes
- Repositório Institucional UnB — Fact, High
- OASISBR / IBICT — Fact, High
- eduCapes / CAPES — Fact, High
- Academia.edu (PDF) — Fact, Medium